Utilities Summit 2026: do dado estruturado à decisão

Modernizar infraestruturas essenciais exige mais do que incorporar novas tecnologias. Para empresas de saneamento e energia, o avanço passa pela capacidade de organizar informações, integrar sistemas, conectar engenharia e operação e transformar dados em decisões mais precisas.

Essa foi uma das principais discussões do Utilities Summit 2026, realizado pela FF Solutions em 29 de setembro, em São Paulo. O encontro reuniu especialistas, empresas e instituições dos setores de saneamento e energia para discutir como tecnologia, dados e engenharia digital podem apoiar operações mais eficientes e uma gestão mais integrada das infraestruturas.

A programação conectou temas como inteligência artificial, governança da informação, BIM, GeoBIM®, gêmeos digitais, conectividade e gestão de ativos, além de experiências práticas de empresas que já avançam nesses processos.

O objetivo do evento foi justamente aproximar estratégia, engenharia, tecnologia e operação diante de desafios comuns aos dois setores. Roteiro mediador

Ao longo das discussões, alguns pontos apareceram de forma recorrente.

Time FF Solutions, clientes e parceiros no Utilities Summit 2026.

Informação confiável é a base da transformação digital

A evolução tecnológica das empresas não acontece em um único movimento.

Na apresentação sobre Engenharia Digital, Paulo Macedo, Gerente de Projetos de Utilities da FF Solutions, percorreu diferentes estágios dessa transformação, da computação centralizada e dos sistemas departamentais à convergência entre tecnologias e ao avanço da inteligência artificial generativa, prescritiva e autônoma.

O ponto central é que cada nova camada depende da maturidade construída anteriormente. Por isso, antes de discutir aplicações mais avançadas de IA, existe uma questão fundamental: a confiabilidade das informações utilizadas pelas organizações.

Empresas que conseguirem extrair maior valor da inteligência artificial serão aquelas capazes de trabalhar com informações confiáveis, organizadas e disponíveis para uso. Mais do que um projeto exclusivamente relacionado à tecnologia da informação, essa base passa a ser uma questão estratégica para o negócio.

A mesma lógica apareceu na discussão sobre ativos digitais conduzida por André Barrozo, Diretor de Serviços Profissionais da FF Solutions.

Como apresentado no evento, registrar informações representa apenas o início do processo. A gestão digital ganha relevância quando esses dados passam a oferecer confiança suficiente para apoiar decisões. Esse cenário também exige superar uma visão baseada em tecnologias isoladas.

ERP, SCADA, Data Lake, CRM, BIM, CDE e GIS podem desempenhar diferentes funções dentro da organização. O valor, porém, está na continuidade do fluxo de informação entre esses ambientes, equipes e processos. Um ativo digital, portanto, não é gerenciado por um único software.

Integrar sistemas passa a ser tão importante quanto digitalizar processos

Infraestruturas de saneamento e energia acumulam informações provenientes de diferentes fontes, áreas e períodos. Essa realidade torna a integração um dos principais desafios da transformação digital.

Durante a apresentação sobre GeoBIM®, Lucas Tafarello, Gerente de Serviços Profissionais da FF Solutions, mostrou como essa discussão se aplica à conexão entre BIM e GIS. Enquanto o GIS já está consolidado há décadas em muitos ambientes de Utilities, a implementação de BIM apresenta diferentes níveis de maturidade entre as organizações.

O próximo passo não é substituir um sistema pelo outro, mas criar conexões entre eles. Nesse contexto, a informação passa a ocupar o centro do processo. A proposta é que a informação seja cadastrada uma vez e compartilhada entre os diferentes sistemas por meio de integrações.

Essa abordagem amplia o acesso às informações do território, dos projetos e dos ativos e pode apoiar decisões em diferentes momentos, do planejamento à operação.

Entre os benefícios discutidos durante o Summit estão maior acesso a informações atualizadas, redução do tempo gasto na busca por dados, mais contexto para a tomada de decisão e maior rastreabilidade.

Em setores com ativos distribuídos por extensos territórios, conectar contexto geográfico, engenharia e operação deixa de ser apenas uma questão tecnológica e passa a ter impacto direto sobre a gestão.

A escala dos investimentos amplia a necessidade de eficiência

Os desafios do setor de saneamento ajudam a dimensionar essa necessidade.

Durante o Utilities Summit, a Sabesp apresentou sua estratégia de transformação digital diante do objetivo de universalização dos serviços até 2029.

Esse cenário envolve mais de R$ 70 bilhões em investimentos, definidos pela companhia como o maior CAPEX de saneamento básico do Hemisfério Sul. A dimensão do desafio exige também mudanças na forma de projetar e executar.

Entre os objetivos apresentados estão triplicar os investimentos para alcançar a universalização, reduzir pela metade os tempos de produção de projetos, obter 30% de aumento de eficiência nas obras e renovar 20% dos ativos existentes em cinco anos.

Nesse contexto, a transformação digital deixa de ser uma agenda paralela.

Antes da implementação de uma arquitetura mais integrada, a Sabesp identificava silos de dados e ações individuais ao longo dos processos. Entre as consequências estavam retrabalho, menor confiabilidade das informações, dificuldade para reconhecer investimentos, comprometimento da gestão dos ativos e acesso complexo ao acervo técnico.

A estratégia apresentada busca conectar modelos BIM, GeoBIM, Ambiente Comum de Dados e sistemas corporativos em uma estrutura mais integrada de gestão de conteúdo e colaboração. Entre os resultados esperados estão maior aprofundamento técnico, mitigação de retrabalho, visão de capital TOTEX (Total Expenditure ou Despesa Total) e avanço da gestão de ativos.

A experiência mostra como a digitalização ganha outra dimensão quando está vinculada a metas de expansão, produtividade e eficiência.

A escala dos investimentos amplia a necessidade de eficiência

Outro tema recorrente no Utilities Summit foi o avanço dos gêmeos digitais. A discussão apresentada pela FF Solutions ampliou esse conceito para além da representação visual de um ativo.

Um ativo digital pode reunir informações de projeto, montagem, operação e manutenção, geolocalização, fabricante, histórico e condições operacionais. Essas informações formam uma base capaz de acompanhar o ativo e apoiar diferentes decisões ao longo de sua utilização.

Quanto maior a conexão entre essas informações, maior também o potencial de aplicação operacional.

Entre os benefícios apresentados estão maior segurança para equipes em campo, planejamento mais bem embasado, manutenção preditiva e maior facilidade na conciliação físico contábil dos ativos.

Nesse cenário, o ativo digital precisa ser tratado primeiro como uma decisão de gestão e, posteriormente, como um projeto de tecnologia. Essa mudança de perspectiva é relevante porque desloca a discussão do software para os processos e decisões que a organização precisa apoiar.

Inteligência artificial é uma camada de uma arquitetura maior

A inteligência artificial esteve presente em diferentes momentos do Utilities Summit, mas não como uma tecnologia isolada. Na visão apresentada por Paulo Macedo, o avanço pode ser estruturado em três estágios.

Primeiro, organizar e digitalizar as informações existentes. Depois, conectar diferentes ambientes, como CDE, GIS, BIM, SCADA, ERP e CRM. A partir dessa base, torna-se possível avançar para simulações, gêmeos digitais e aplicações mais sofisticadas de inteligência.

A estratégia apresentada pela Sabesp segue uma direção semelhante. A companhia prevê que a evolução de sua transformação digital dê suporte a gêmeos digitais e aplicações de inteligência artificial capazes de aumentar a eficiência de processos críticos.

No setor elétrico, a discussão ganhou ainda outra dimensão durante o painel sobre conectividade cognitiva com o CPQD (Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações).

O debate abordou desafios relacionados às falhas de sinal em locais remotos, ao crescimento do volume de dados gerados por medidores e sensores e ao papel de tecnologias como IA e Edge Computing na operação das concessionárias. Também colocou em destaque como essas iniciativas podem se transformar em indicadores operacionais e projetos viáveis.

Isso mostra que inteligência artificial, conectividade, dados e engenharia digital tendem a fazer parte de uma mesma arquitetura. Sem conectividade, os dados podem não chegar. Sem integração, permanecem dispersos. Sem confiabilidade, perdem valor para a decisão. E sem contexto operacional, mesmo aplicações avançadas de IA podem ter alcance limitado.

Leia mais: Como implementar BIM em projetos de saneamento: etapas e desafios

Pessoas continuam no centro da transformação

A tecnologia, sozinha, também não resolve os desafios de transformação. Durante o Summit, a fluência digital apareceu como um dos gargalos para a evolução da gestão de ativos.

A apresentação conduzida por André Barrozo destacou que uma organização se torna efetivamente digital quando suas equipes conseguem colaborar em decisões estratégicas a partir de informações compartilhadas, e não simplesmente quando passam a utilizar novos sistemas.

Esse ponto também se conecta à discussão apresentada pela Sanepar sobre inovação. A tecnologia ganha valor quando deixa o campo da experimentação e contribui para transformar processos, modelos de trabalho e resultados. Por isso, treinamento, gestão de mudança, governança e colaboração precisam evoluir junto com a arquitetura tecnológica.

Painel Engenharia digital e gestão de ativos: uso de IA para gerar eficiência | FF Solutions, Sabesp e Sanepar.

Da tecnologia à capacidade de decisão

Os debates mostram que a transformação digital dos setores de saneamento e energia não depende de uma única tecnologia.

Ela acontece a partir da combinação entre informação confiável, integração entre sistemas, conhecimento sobre os ativos, processos consistentes e pessoas preparadas para utilizar esse novo contexto.

Cada organização pode estar em um estágio diferente dessa evolução. Para algumas, o desafio ainda está na organização e digitalização das informações. Para outras, está na integração entre BIM, GIS, CDE e sistemas corporativos.

Em ambientes mais maduros, gêmeos digitais, inteligência artificial e automação passam a ampliar as possibilidades de análise e operação. O ponto em comum é que cada etapa cria as condições para a próxima.

A FF Solutions atua ao lado de empresas de infraestrutura na definição e implementação dessa evolução, conectando estratégia, engenharia e tecnologia por meio de BIM, GeoBIM®, ambientes de dados, gestão de ativos, gêmeos digitais e inteligência artificial.

Quer entender como essas tecnologias podem apoiar os desafios da sua operação?

Entre em contato com os especialistas da FF Solutions.

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