
Neste episódio de abertura da segunda temporada, os hosts Júlio Ribeiro e Lucas Tafarello receberam Paulo Macedo, Gerente de Projetos Estratégicos da FF Solutions, para discutir sobre: o Marco Legal do Saneamento e o que é necessário para que o país atinja as metas de universalização até 2033. A conversa passa pelos desafios financeiros e institucionais do setor, pelo gargalo de mão de obra qualificada e pelo papel do BIM e do GeoBIM na gestão de ativos de saneamento.
Sobre o convidado
Paulo Macedo é engenheiro mecânico formado em 1996, com trajetória construída entre engenharia e tecnologia. Pioneiro na adoção de CAD e especialista em GIS (Sistemas de Informação Geográfica), fundou empresas voltadas ao setor de saneamento e, desde 2022, lidera a implementação de BIM em grandes companhias do setor na FF Solutions.
Destaques do episódio
Os desafios para a universalização até 2033
O novo Marco Legal do Saneamento (2021) impõe metas para garantir que 99% da população tenha acesso a água potável e 90% com coleta e tratamento de esgoto até 2033. Para isso, o investimento anual no setor precisa saltar da média histórica de R$ 12–14 bilhões para algo entre R$ 60 e 80 bilhões.
Paulo Macedo aponta que o problema não é só financeiro. O setor enfrenta dois gargalos estruturais adicionais:
- Geográfico: o atendimento a áreas rurais e comunidades vulneráveis exige soluções que vão além da lógica de escala urbana
- Institucional: 70% dos municípios brasileiros ainda não formaram os blocos regionais exigidos pela lei para viabilizar os serviços de saneamento
BIM e o falta de mão de obra
O mercado de saneamento forma cerca de 2.000 profissionais qualificados por ano. A demanda imediata é de 10.000. Esse desequilíbrio não se resolve com contratação em massa; o caminho está na automação de processos e na estruturação de dados que o BIM permite.
Segundo Paulo, projetos que antes levavam dois anos podem ser concluídos em seis meses quando a equipe trabalha com ferramentas que facilitam a colaboração e a tomada de decisão baseada em dados. Menos horas gastas em retrabalho e compatibilização manual significa mais capacidade produtiva com os profissionais disponíveis.
A integração GeoBIM e a gestão de ativos
Paulo defende que o “I” do BIM, de Informação, só tem valor quando essa informação circula entre sistemas sem precisar ser reinserida. A integração entre BIM e GIS, o GeoBIM, é o que permite isso na prática: dados fluem da concepção do projeto até a operação, sem ruptura entre ERP, GIS e os modelos de engenharia.
Esse ponto tem implicação direta nos índices de perda de água do Brasil, que ficam entre 40% e 50% em muitos sistemas. Parte desse número vem da falta de manutenção preditiva e do conhecimento insuficiente sobre os próprios ativos, algo que a gestão integrada de dados ajuda a reverter.
