GeoBIM e mobilidade urbana na gestão pública – T2E08

Três homens sentados à mesa de reunião gravando o podcast I Love BIM Cast, com microfones e a logo do programa exibida na TV ao fundo

Neste episódio, os hosts Júlio Ribeiro e Lucas Tafarello recebem Rafael Savazzi, Gerente de Planejamento e Projetos de Trânsito da Prefeitura de Santo André, para falar sobre o GeoBIM aplicado à mobilidade urbana. A conversa passa pela origem do projeto, financiado com recursos do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), pelos desafios de implementação dentro do setor público e pelos ganhos que a integração entre georreferenciamento e BIM trouxe para os projetos de sinalização viária da cidade.

Sobre o convidado

Rafael Savazzi é engenheiro civil, com pós-graduação em planejamento urbano e territorial e mais de 12 anos de experiência no setor público. Atua na Secretaria de Mobilidade de Santo André desenvolvendo soluções em sinalização viária, requalificação de espaços urbanos, gestão de segurança viária e projetos de mobilidade.

Destaques do episódio

Da fragmentação de canais à centralização de dados no portal GeoBIM

Antes do GeoBIM, a Prefeitura de Santo André recebia demandas de mobilidade por cinco ou seis canais diferentes: processo físico, sistema integrado online, aplicativo Colab, ofícios protocolados e solicitações de outras secretarias ou da Câmara de Vereadores. Rafael Savazzi conta que essa fragmentação dificultava saber se uma demanda já tinha sido executada e por quem, e que boa parte do controle ainda era feito em planilhas de Excel.

Foi esse cenário que motivou o termo de referência enviado ao BID e, a partir da verba aprovada, o desenvolvimento do GeoBIM: um sistema que une georreferenciamento e BIM para centralizar as demandas num portal integrado ao Autodesk Construction Cloud, hoje Forma, via API que já cria automaticamente diretórios e fluxos de trabalho por etapa.

BIM na sinalização viária: metade do tempo de projeto

Os projetos de sinalização viária continuam sendo entregues em 2D, mas passaram a carregar informação em cada elemento desenhado. Rafael cita o exemplo da faixa azul para motocicletas, primeira implantação do tipo fora da capital paulista, projetada em BIM com dados de tipo de tinta, largura e espessura vinculados ao desenho.

Antes, o cálculo do quantitativo de material consumia boa parte do tempo de projeto, muitas vezes feito manualmente. Com a extensão de BIM integrada ao CAD, esse levantamento passou a ser automático, o que reduziu em torno de 50% do tempo dedicado a cada projeto. A equipe também usa o Infraworks para representar conceitos antes da fase executiva, como no caso de um mini terminal de ônibus planejado numa área não urbanizada.

Setorização territorial e caminho de maturidade para outras cidades

A prefeitura dividiu o território em 12 setores técnicos, o que permite identificar onde as demandas se concentram e priorizar intervenções, como o Plano de Ação Imediata no Trânsito voltado ao centro expandido da cidade. Rafael comenta que problemas parecidos aparecem em municípios de porte semelhante, citando conversas com a equipe de Jundiaí.

Sobre o futuro, ele situa o GeoBIM como uma etapa dentro de uma trajetória de maturidade que já aparece em outras cidades do mundo, com conceitos como City Information Model (CIM) e Urban Digital Twin surgindo como próximos estágios de gestão urbana orientada por dados.

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