A inteligência artificial vem ganhando espaço nas empresas de arquitetura, engenharia, construção e manufatura. Mas os dados do State of Design & Make 2027, da Autodesk, mostram que sua adoção acontece dentro de um movimento mais amplo de transformação digital.
Realizado com 5.500 líderes e especialistas de 23 países, o estudo aponta que as organizações com melhor desempenho combinam maturidade digital, adoção de IA, sustentabilidade e capacidade de conectar dados, pessoas e processos.
O cenário indica uma mudança na forma como as empresas encaram a maturidade digital. Mais do que incorporar novas tecnologias, avançar passa por construir uma base capaz de integrar informações e processos e acompanhar continuamente a evolução do negócio.

Maturidade digital passa por um novo patamar
Um dos principais dados do relatório ajuda a dimensionar essa mudança. Hoje, 98% das organizações afirmam já perceber benefícios mensuráveis com a transformação digital. Ao mesmo tempo, a parcela de empresas que se considera digitalmente madura caiu de 63% em 2024 para 44% em 2026.
À primeira vista, os números parecem contraditórios. O próprio estudo, porém, aponta outra leitura: as expectativas sobre maturidade digital estão mais altas. IA, automação, cloud e informações conectadas passaram a fazer parte desse novo patamar de referência. Capacidades que antes diferenciavam empresas mais avançadas começam a se tornar parte das expectativas sobre uma operação digitalmente madura.
Os resultados da transformação também aparecem em indicadores de negócio. Dois em cada três respondentes afirmam que a digitalização melhorou em pelo menos 50% aspectos como satisfação dos clientes, produtividade e inovação. Aproximadamente um terço relata ganhos de 75% ou mais nesses indicadores.
Os dados indicam que a maturidade digital já gera resultados, mas também mostram que o conceito continua evoluindo à medida que novas capacidades passam a fazer parte das operações.
IA avança entre as prioridades das empresas
A inteligência artificial ocupa um espaço cada vez mais relevante nas estratégias das organizações ouvidas pelo estudo. Pela primeira vez, avanços tecnológicos, incluindo IA, ultrapassaram a gestão de custos como principal desafio apontado pelas empresas. A proporção de líderes que cita esse tema aumentou de 31% em 2025 para 40% em 2027.
Ao mesmo tempo, 75% dos líderes pretendem aumentar os investimentos em IA nos próximos três anos. Quatro em cada dez organizações já incorporaram inteligência artificial aos fluxos de design, enquanto 34% trabalham na implementação de automações baseadas em IA.

Com o avanço da adoção, o foco também começa a mudar. A discussão passa a envolver menos a decisão de adotar ou não a tecnologia e mais a forma como ela pode ser integrada aos processos de maneira consistente.
O relatório também mostra que investimento, isoladamente, não garante resultado. Apenas 40% das organizações afirmam estar próximas ou já ter alcançado seus objetivos relacionados à IA.
Nesse contexto, o avanço depende da combinação entre tecnologia, informações confiáveis, processos preparados para incorporar novas capacidades e equipes com conhecimento para aplicá-las no dia a dia.
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Capacitação acompanha o avanço da inteligência artificial
O desenvolvimento de competências aparece como outro ponto relevante do estudo. Embora o custo continue sendo uma barreira importante, 56% das organizações citam pelo menos um desafio relacionado a habilidades e capacitação, enquanto 37% apontam custos como principal obstáculo à transformação digital.
No contexto da IA, o mercado também parece caminhar para uma abordagem mais ampla de capacitação. Entre as empresas que priorizam competências em inteligência artificial, conhecimento geral sobre IA aparece como principal necessidade, citado em 37% das respostas, seguido pela experiência prática com tecnologias de IA, com 22%.
Os dados indicam que a inteligência artificial começa a deixar de ser uma competência restrita às áreas técnicas. À medida que sua aplicação se expande para diferentes processos, cresce também a necessidade de ampliar o repertório das equipes sobre suas possibilidades, limitações e formas de uso dentro das operações.
Dados e fluxos conectados ampliam o impacto da tecnologia
Outro eixo importante do relatório é a convergência. A Autodesk utiliza o conceito para representar a conexão entre dados, fluxos de trabalho, equipes, tecnologias e especialidades. Em vez de otimizar etapas isoladas, as organizações começam a buscar estruturas capazes de conectar diferentes áreas e disciplinas.
Essa lógica ganha força à medida que projetos e operações se tornam mais complexos. Segundo o estudo, 75% das organizações buscam referências de inovação fora de seus próprios setores e 68% já adotam técnicas ou tecnologias digitais originadas em outras indústrias.
Gêmeos digitais, construção industrializada, realidade estendida e inteligência espacial aparecem entre os exemplos desse movimento de aproximação entre diferentes áreas e mercados.
Essa convergência, porém, depende de uma base digital consistente. O relatório destaca que IA, automação e outras capacidades digitais tendem a gerar mais valor quando estão apoiadas por informações confiáveis e conectadas entre equipes e fluxos de trabalho. Nesse cenário, a integração passa a ser parte importante da capacidade das empresas de escalar o uso da tecnologia para além de aplicações isoladas.
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Pacesetters combinam diferentes capacidades digitais
O State of Design & Make 2027 também analisa o grupo de empresas classificadas como Pacesetters, organizações que apresentam indicadores superiores em diferentes dimensões avaliadas pelo estudo.
Essas empresas não se destacam apenas pelo investimento em tecnologia. O relatório mostra maior integração entre capacidades digitais, IA, sustentabilidade, gestão de informações e desenvolvimento de pessoas.
Entre os Pacesetters, 93% afirmam estar preparados para mudanças macroeconômicas e geopolíticas, contra 59% das demais organizações. Além disso, 85% dizem superar as expectativas de desempenho dos negócios, frente a 50% das empresas classificadas como mainstream.
No uso de IA, a diferença também aparece na estrutura organizacional. Entre os Pacesetters, 94% possuem equipes dedicadas à integração da tecnologia, 92% contam com parceiros confiáveis de dados e 91% têm sistemas conectados para integrar informações dentro da organização.
Os indicadores ajudam a mostrar que níveis mais altos de desempenho estão associados à capacidade de combinar diferentes competências. Tecnologia, gestão de informações, pessoas e processos aparecem de forma interdependente, formando uma estrutura mais preparada para incorporar novas capacidades ao longo do tempo.
Transformação digital como processo contínuo
Um dos principais movimentos apontados pelo relatório está justamente na forma como as organizações passam a enxergar a transformação digital.
Em vez de um projeto com início e fim definidos, ela se aproxima de um processo contínuo de adaptação. Para os setores de arquitetura, engenharia, construção e manufatura, essa mudança amplia a discussão sobre investimento em tecnologia.
A escolha das soluções continua relevante, mas passa a fazer parte de um contexto que também envolve organização das informações, integração entre processos, desenvolvimento de competências e capacidade de adaptação.
Nesse cenário, transformação digital, inteligência artificial e integração deixam de ser agendas isoladas e passam a compor uma mesma estratégia de evolução das operações.
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