Segurança operacional: como dados confiáveis reduzem deslocamentos a campo

A segurança operacional no setor de energia é uma prioridade para concessionárias, empresas de engenharia e operadores de infraestruturas elétricas. A operação e manutenção de subestações e linhas de transmissão tradicionalmente exige o deslocamento de equipes técnicas a campo para realizar inspeções, medições e avaliações físicas do estado dos ativos.

No entanto, isso expõem os colaboradores a riscos que vão desde os perigos inerentes ao ambiente energizado até situações adjacentes, como deslocamento no trânsito e violência em regiões de vulnerabilidade social.

A necessidade de subir em postes e torres de transmissão ou inspecionar equipamentos de grande porte dentro de subestações exige o uso de equipamentos de proteção individual (EPIs) pesados e rigorosos protocolos de segurança, como os previstos na NR-35 (Trabalho em Altura). A fadiga gerada por essas condições somada ao estresse térmico, à carga de equipamentos e à pressão do cronograma pode levar a erros de julgamento e falhas operacionais. Cada minuto a mais em campo aumenta a janela de exposição ao risco.

Segundo dados mapeados pelo Canal Solar com base nas informações do SmartLab (Observatório de Segurança e Saúde no Trabalho), o Brasil registra, em média, um acidente de trabalho em instalações elétricas a cada quatro horas. Entre 2012 e 2022, mais de 22.700 trabalhadores sofreram algum tipo de acidente em instalações elétricas. Mais do que apenas mitigar esses riscos de forma reativa, as empresas têm uma oportunidade de reduzir proativamente a exposição dos colaboradores ao perigo.

A tecnologia pode ser uma grande aliada neste sentido, reduzindo a necessidade de deslocamentos e atividades em áreas energizadas. Para isto, ter modelos de ativos digitais que possam ser consultados em um repositório unificado e com informação atualizada possibilitam transformar a forma como as intervenções em campo são planejadas, simuladas e executadas.

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A transformação impulsionada pela Engenharia Digital

O grande divisor de águas que a tecnologia viabiliza é a capacidade de eliminar a necessidade do deslocamento físico quando este não agrega valor técnico. É neste ponto que a o gêmeo digital (digital twin) dos ativos atua como um pilar de transformação.

Gêmeos digitais hospedados em um repositório centralizado de dados de engenharia, as-built e operação e manutenção atualizados possibilitam que as equipes realizem consultas e walkthroughs virtuais (passeios virtuais em ambientes 3D) antes de qualquer intervenção física. A identificação visual de anomalias, como ferrugem, fissuras e outros é possível graças às tecnologias avançadas de captura de realidade que permitem inclusive a leitura de placas de especificação dos equipamentos instalados, tags, e outros sem que equipes precisem se deslocar, poupando a atuação in-loco somente para as tarefas que a presença é indispensável.

Além disto, ao integrar modelos tridimensionais detalhados aos dados operacionais em tempo real, coletados por sensores IoT e sistemas SCADA (Supervisory Control and Data Acquisition), os engenheiros podem identificar informações remotamente como picos de energia, alta temperatura, falhas em disjuntores, analisar o estado de transformadores e verificar condições de equipamentos diretamente de um escritório seguro.

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Governança da informação como pilar de segurança

Um aspecto que passa a ser fundamental para assegurar o ROI da implementação dos gêmeos digitais é a governança e a gestão da informação digital. Modelos obsoletos ou dados imprecisos podem levar a avaliações incorretas, forçando equipes a irem a campo novamente, o que anula os benefícios da digitalização e cria uma falsa sensação de segurança.

A governança garante que os dados coletados durante a construção e a operação sejam mantidos, atualizados e versionados adequadamente ao longo de todo o ciclo de vida do ativo. Quando as equipes confiam na exatidão dos dados do repositório, elas conseguem realizar atividades com maior autonomia e segurança:

AtividadeImpacto na Segurança e Eficiência
Planejamento de ManutençãoPlanejamento e priorização com visão de longo prazo, evitando exposições desnecessárias e reduzindo o tempo de permanência em campo.
Walkthroughs VirtuaisReconhecimento prévio do ambiente de risco sem exposição física, permitindo a criação de Procedimentos Operacionais mais seguros e informados.
Simulação de Cenários CríticosTeste virtual de situações críticas (curto-circuito, sobrecarga térmica) sem expor nenhum trabalhador ao perigo real.

A adoção dessas práticas reflete diretamente no cumprimento das exigências da NR-10 e da nova NR-1 (Disposições Gerais e Gerenciamento de Riscos Ocupacionais). A legislação atual incentiva o uso da tecnologia como instrumento de predição e prevenção, reconhecendo que a engenharia digital é uma ferramenta válida para a redução de riscos de campo e da exposição ocupacional.

Ao reduzir os deslocamentos a campo, as empresas observam ganhos tangíveis que impactam diretamente o resultado operacional:

  • Redução de acidentes: Implementações baseadas em Digital Twins demonstraram reduzir as visitas a campo em até 66%, com 90% de precisão preditiva na identificação de falhas.
     
  • Melhoria na eficácia do treinamento: O treinamento por meio de ambientes virtuais baseados em Digital Twins melhora o desempenho dos colaboradores em até 70% e reduz acidentes no local de trabalho em 45%, com uma taxa de retenção do conhecimento que alcança 75%, contra apenas 10% no treinamento tradicional.
     
  • Diminuição do custo operacional: Menos viagens significam menores gastos com logística, combustível, hospedagem e horas de deslocamento, recursos que podem ser redirecionados para investimentos em infraestrutura e capacitação.
  • Maior produtividade das equipes: Engenheiros e técnicos dedicam seu tempo à análise de dados e à tomada de decisões estratégicas, em vez de perdê-lo no trânsito ou em deslocamentos improdutivos.

O papel da FF Solutions

A transição para operações menos dependentes da presença física exige mais do que a adoção de novas tecnologias. Tal processo passa pelo conhecimento e consultoria em adequações processos inerentes ao setor de energia, conhecimento das tecnologias e metodologias de integração de plataformas de dados para viabilizar uma base confiável capaz de apoiar decisões em diferentes etapas da operação.

Com expertise em governança da informação e engenharia digital, a FF Solutions atua na implementação de repositórios centralizados e no desenvolvimento do ativo digital, desde a sua concepção até a sua mobilização e operação de forma a contribuir para que a empresa tenha um ambiente em que os profissionais possam atuar com segurança fazendo uso de informações precisas, atualizadas e conectadas à realidade dos ativos.

Essa abordagem contribui para que a tecnologia seja incorporada de forma segura e estruturada, ampliando a capacidade das equipes de campo e apoiando a manutenção de elevados padrões de segurança operacional no setor de energia.

O foco permanece na integração entre pessoas, processos e tecnologia, com resultados sustentáveis e de alto valor agregado para o negócio.

FAQ – Perguntas frequentes

Segurança operacional no setor de energia elétrica é o conjunto de práticas, tecnologias e protocolos adotados para proteger os trabalhadores durante a operação e manutenção de subestações, linhas de transmissão e demais infraestruturas elétricas.

Ela envolve desde o uso de EPIs e o cumprimento de normas como a NR-10 e a NR-35, até a adoção de soluções digitais que reduzem a exposição dos colaboradores a ambientes energizados e situações de risco, como deslocamentos em regiões vulneráveis ou trabalho em altura.

O gêmeo digital (digital twin) permite que engenheiros e técnicos realizem walkthroughs virtuais, identifiquem anomalias como ferrugem e fissuras, e leiam placas de especificação de equipamentos sem precisar se deslocar fisicamente até o local.

Ao integrar modelos 3D a dados operacionais em tempo real coletados por sensores IoT e sistemas SCADA, as equipes conseguem monitorar picos de energia, temperatura e falhas em disjuntores diretamente de um escritório seguro. Implementações baseadas em Digital Twins demonstraram reduzir as visitas a campo em até 66%, com 90% de precisão preditiva na identificação de falhas.

Modelos obsoletos ou dados imprecisos levam a avaliações incorretas, forçando equipes a retornarem ao campo desnecessariamente e criando uma falsa sensação de segurança — o que pode resultar em acidentes ou falhas operacionais.

A governança da informação garante que os dados coletados ao longo do ciclo de vida do ativo sejam mantidos, versionados e atualizados. Quando as equipes confiam na exatidão do repositório digital, elas conseguem planejar intervenções com maior autonomia, segurança e precisão, sem depender de verificações físicas desnecessárias.

A engenharia digital traz benefícios concretos em diferentes dimensões da operação:

  • Redução de acidentes: menos deslocamentos significam menor exposição a ambientes de risco, como áreas energizadas e trabalho em altura.
  • Melhor treinamento: ambientes virtuais baseados em Digital Twins melhoram o desempenho dos colaboradores em até 70% e reduzem acidentes no local de trabalho em 45%.
  • Menor custo operacional: menos viagens resultam em economia com logística, combustível e horas de deslocamento.
  • Maior produtividade: engenheiros e técnicos concentram seu tempo em análise de dados e decisões estratégicas, em vez de deslocamentos improdutivos.

A NR-10 e a nova NR-1, que trata do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais, reconhecem o uso de tecnologia como instrumento válido de predição e prevenção de riscos no setor elétrico.

Isso significa que ferramentas de engenharia digital, como gêmeos digitais e repositórios centralizados de dados, não são apenas ganhos de eficiência operacional — elas contribuem diretamente para o cumprimento das exigências legais, apoiando as empresas na redução da exposição ocupacional e na comprovação de ações proativas de gestão de riscos.

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